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segunda-feira, 5 de março de 2012

Atrapalhando o Tráfego

Hoje é segunda-feira... aí bate aquela FALTA de inspiração. Vou deixar vocês com um texto que resume bem o que eu penso sobre essa selvageria que é um transito de uma maneira geral. O texto de sexta feira do Flávio Gomes é sobre São Paulo, mas caberia muito bem aqui no Rio. Ou em qualquer cidade grande do Brasil...

Mais tarde eu volto... talvez.

"ATRAPALHANDO O TRÁFEGO


Foto Diogo Moreira/Futurapress - publicada originalmente no iG

SÃO PAULO - Uma ciclista de 33 anos morreu hoje de manhã atropelada por um ônibus na avenida Paulista. Juliana Dias, bióloga, morava na Vila Mariana e trabalhava no Hospital Sírio-Libanês. Não encontrei muitos relatos sobre o que aconteceu. Nesse link aí há o depoimento de uma testemunha que diz que ela caiu da bicicleta depois de discutir com outro motorista de ônibus, e que o ônibus que a atropelou estava em velocidade normal.


Não vou chamar ninguém em particular de assassino, nem categoria nenhuma. Somos todos assassinos nesta cidade infernal. Anteontem, perto de onde moro, um outro ônibus passou por cima de um carro e matou duas pessoas. Era um desses articulados, que trafegam nos corredores exclusivos como se estivessem em pistas de corrida, que andam despinguelados, dirigidos por animais sem preparo, selvagens que não têm noção do que estão fazendo. Dirigem veículos pesadíssimos, difíceis de frear, se atiram para cima de todo mundo, e esse em particular não se importou com mais um semáforo quebrado na cidade (mais duas mortes para a conta do abandono que vive a metrópole), não quis nem saber, não deve ter sequer pensado em diminuir a velocidade para passar num cruzamento com semáforo quebrado, acelerou, matou dois. Motoristas de ônibus em São Paulo são assim, no Rio, também. Falo de onde mais conheço, onde essas coisas me parecem mais visíveis.


Ganham mal, têm péssimas condições de trabalho, passam o dia num trânsito louco dentro de ônibus barulhentos e quentes, têm todos os motivos do mundo para reclamar da vida, mas nenhum motivo para guiar feito psicopatas.


Que me desculpem os que não são assim, os há. Mas sejamos honestos: uma boa parte não tem condição de guiar nem patinete.


O mesmo com motoqueiros. Ando bastante de lambreta. É um terror diário. Os motoboys são seres ensandecidos, violentos, agressivos, hostis. Há várias categorias deles, com o tempo a gente aprende a identificá-los. Loucos, loucos, completamente loucos. Atualmente tem uma subdivisão que chamo de “tornozelinhos”, motoboys que andam com o pé esquerdo curvo na altura do tornozelo, para trocar marchas com a ponta do dedão, sei lá, com um certo desprezo pelos pedais, assim como o fazem com as mãos, que apenas se apoiam na manopla da esquerda como a dizer não, não uso embreagem para reduzir marchas, uma vez em velocidade de cruzeiro, é nela que vou, não freio esta merda, sai da minha frente, parece que querem demonstrar um domínio sobre a máquina que os outros não têm, trocando marcha com o dedão só quando for absolutamente necessário, e o pezinho em arco para dizer isso, e apenas resvalando suas mãos hábeis no guidão, porque empunhar manopla é coisa de viado lambreteiro. A única manopla que merece deles algum respeito é a direita, que acelera.


Uma vez li que os motoboys só existem porque nós, os usuários de seus serviços, temos pressa. OK, faz sentido. Mas a pressa não justifica o comportamento dessa gente.


Que me desculpem os que não são assim, os há. Mas sejamos honestos: uma boa parte não tem condição de guiar nem patinete.


Motoristas de carros são igualmente assassinos em potencial. Não respeitam faixas de pedestres, limites de velocidade, corredores de ônibus. Taxistas, madames, empresários, executivos, jornalistas, publicitários, médicos, somos todos animais armados que saem de casa de manhã dispostos a xingar, hostilizar, jogar o carro em cima dos outros. Um inferno incontrolável que o poder público insiste em desprezar.


E acabamos indiferentes a esta tragédia diária, preocupados que estamos apenas em terminar o expediente e chegar em casa vivos. O blogueiro Chico Bicudo notou que hoje de manhã os principais portais da internet estavam mais preocupados em chamar a atenção para o prejuízo que a morte da ciclista trouxe ao trânsito do que em se indignar com a selvageria de uma moça de 33 anos morrer atropelada na avenida mais importante da cidade. Citou, o blogueiro, a música de Chico Buarque. Morreu na contramão atrapalhando o tráfego. “Construção” é de 1971. Somos indiferentes há muito tempo, não evoluímos nada.


No fundo, somos todos assassinos que só se incomodam quando alguém atrapalha o tráfego.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Posse

Um dos acontecimentos mais marcantes dessa virada de ano foi, sem duvida, a posse da nova presidente (presidenta?) do Brasil, Dilma Rouseff.
Além de todo o simbolismo no fato de uma mulher chegar a presidência, depois de anos e mais anos de homens na presidência, a posse dela significou também a saída do homem que talvez seja considerado daqui há uns 50 anos o melhor presidente que este país já teve - Luis Inácio Lula da Silva.
Senão foi o melhor, ao menos foi o mais popular. O número absurdo de 87% de aprovação é incrível. Ninguém havia chegado perto desta marca.
Lula pegou um estado quebrando e conseguiu estabiliza-lo. Teve coragem de investigar uma denuncia de corrupção dentro do próprio partido. Enfrentou a crise. Mostrou a todos que empresas estatais podem dar certo, basta serem razoavelmente administradas - basta ver o lucro que a Petrobras gera para o país.
Lula, com o 2º grau apenas, mostrou que não precisa ser sociólogo e falar inglês fluente para ser respeitado internacionalmente.
Ele foi tão bem que elegeu Dilma, que não tinha muito carisma, nem era conhecida do grande publico. Além dela ter sofrido o achincalhamento bizarro da grande mídia.
Lula é o cara.



PS: A cena da Dilma passando as tropas em revista é emblemática. Quem diria que a perseguida pela ditadura hoje chefiaria as forças armadas. Tudo bem que o tempo é outro, o exercito é outro, não tem nada a ver com ditadura, mas... a imagem é de uma ironia pura...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Alguém me explica...

O Brasil é realmente um país onde a lógica é usada em 100% do tempo.

Vejamos o exemplo do Rio de Janeiro.

Ontem, dia 21 de Abril, foi dia de Tiradentes, cuja história de martir é um tanto quanto nebulosa - para dizer o mínimo. Em homenagem ao nosso "mito", feriado nacional.

Amanhã, é dia 23 de Abril, dia de São Jorge. O nosso querido Jorge Babu, devoto do santo macumbeiro e católico, além de ser um político de alta idoneidade (tanto que foi expulso de seu partido por envolvimento com atividades excusas), criou há anos atrás uma lei municipal (que virou estadual ano passado) que institui feriado neste dia. Para que seus fiéis possam ir à Igreja sem enfrentar o transito. Belo motivo.

Enfim, ontem e amanhã são feriados. O que pra mim é ótimo.

Só que...

Hoje é dia 22 de Abril, dia do descobrimento do Brasil. Dia que, neste ano de 2009, se celebra o 509º aniversário de nossa terra.
E NÃO É FERIADO!

Ou seja, o santo macumbeiro e o duvidoso mártir são mais importantes que o maior marco histórico de nosso País.

É. Faz sentido...